Rio de Janeiro, 21 de agosto de 2009.

O que fazemos pelo ambiente em que vão viver nossos filhos?
Patrícia Konder Lins e Silva
Os meios de comunicação publicam notícias sobre as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global, que provoca o desaparecimento da neve outrora eterna nos cumes de montanhas, e o degelo de magnitude inesperada das calotas geladas ao norte e ao sul do planeta. O aquecimento também influi na reprodução e sobrevivência de espécies. Os prognósticos são ameaçadores, anunciando um ambiente cada vez mais hostil às formas de vida.
Nada é novidade. Mas embora tenhamos toda a informação, ainda não nos sensibilizamos para a urgência de agirmos em benefício das próximas gerações. Os nossos filhos, necessariamente, terão de passar por uma radical mudança no que se refere ao modo de lidar com o ambiente, mas não os temos preparado para essa realidade.
A educação, hoje, na escola ou em casa, não pode desprezar a conscientização para a preservação das condições de vida. Deixamos para nossos filhos um legado de luta. Terão de se preocupar com a poluição do ar e da água, com as intempéries e fenômenos naturais provocados pelas mudanças climáticas, com a alimentação da humanidade. Se desde já souberem que fazem parte desse cenário e que são capazes de enfrentar e resolver desafios, terão mais confiança no encaminhamento de soluções.
Sabemos que conscientizar não basta. O difícil mesmo é mudar hábitos. O mundo moderno nos acostumou com coisas demais. E como temos coisas demais, elas também são descartáveis demais. Produzimos inimaginável quantidade de lixo de todos os tipos e os não degradáveis ficarão por séculos interferindo na saúde do planeta.
Precisamos inaugurar com nossos filhos uma relação responsável e saudável com o ambiente. Temos que aprender que somos parte da natureza, que ela não está fora de nós. Nós somos natureza. Todas as ações do homem interferem no mundo em que vivemos. Vamos ensinar que degradar o ambiente é nos degradar, é piorar a qualidade de nossas vidas.
Por onde começar? Em casa. Fazer a coleta seletiva de lixo em casa, no prédio, no bairro; gastar menos água potável fechando a torneira enquanto nos ensaboamos ou enquanto escovamos os dentes; propor o transporte solidário; menos carros em circulação, menos emissão de carbono. Parece pouco, mas numa escala planetária, cada ação vale muito.
A humanidade criou uma civilização, construiu um rico acervo cultural, um complexo desenvolvimento científico e tecnológico, uma produção artística que afirma a capacidade inesgotável de criação do homem. Não podemos deixar isso se desgastar, se tornar secundário diante das necessidades de sobrevivência física.
Vamos manter o ambiente para garantir a permanência da civilização.
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